8º. Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva e 11o. Congresso Mundial de Saúde Pública - “Saúde Pública em um mundo de globalizado: Rompendo barreiras sociais, econômicas e políticas”
A Federação Mundial de Associações de Saúde Publica (World Federation of Public Health Associations / WFPHA) – organismo que congrega setenta Associações de Saúde Pública em todo o mundo, entre as quais a ABRASCO – em uma resolução de 2004, definiu “a Saúde Pública como uma arte e uma ciência”, bem como enquanto “um movimento comprometido com a melhoria da saúde e do bem estar das comunidades vis-à-vis sua participação plena”.
O principio fundamental é que “primeiro e acima de tudo, as lideranças em Saúde Pública devem ser agentes catalisadores deste movimento, mantendo e fortalecendo, individual e coletivamente, sua capacidade e seus papéis como defensores da saúde”. A resolução reconhece e sublinha como “grandes desafios no âmbito mundial: a promoção dos Direitos Humanos; a redução da carga das doenças; a garantia de nutrição apropriada; a educação em todos os aspectos da promoção da saúde; a proteção do ambiente; e a garantia do acesso global aos medicamentos essenciais a um custo compatível”. (1)
Embora os avanços técnico-científicos venham ampliando o arsenal de recursos profiláticos e terapêuticos e, ainda que o desenvolvimento econômico e social em muitos países do mundo industrializado venha expandindo a expectativa e melhorando a qualidade de vida de grandes contingentes populacionais; a pobreza, a fome, as doenças evitáveis e a violência continuam a subtraindo e comprometendo a saúde e a vida de três quartos da população do planeta. (2)
Cresce o consenso de que “para enfrentamento efetivo dos grandes desafios da saúde pública global é imperiosa a mudança nas práticas de saúde. Não é suficiente focalizar as ações sobre as urgências sanitárias como a epidemia de HIV/AIDS, a tuberculose e a malária na África sub Sahariana. Também não bastam prioridades restritas aos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM). Políticas e programas são imprescindíveis para responder à pobreza - causa básica da expansão global de muitas enfermidades – e para a prevenção de epidemias emergentes de doença não-transmissíveis. É igualmente necessária a expansão de políticas de saúde sustentáveis voltadas a promoção ambiental global, a prevenção de desastres naturais e provocados pelo uso indiscriminado dos recursos ambientais. O princípio base para a ação é a saúde como um fim em si -um direito humano universal - um pré-requisito para o desenvolvimento humano.” (3)
O mundo menor e mais veloz, resultado dos avanços da tecnologia de informação e de comunicação, não assistiu a remoção de barreiras para promover e prestar cuidados apropriados à saúde de centenas de milhões de habitantes. Os princípios éticos necessitam ser visitados e reforçados.
Nesta perspectiva, há que se acolher e considerar o conjunto de propostas, viabilizando e incentivando a construção de alternativas aos grandes desafios que a comunidade cientifica vem enfrentando na busca de mudanças e renovação do campo, na constituição de novos sujeitos e novas práticas comprometidas com o rompimento das barreiras sociais, econômicas e políticas. Pela saúde como direito inalienável de todos. Esta é a marca da comunidade que integra a ABRASCO desde sua criação em 1979: enfrentar com clareza os antigos e novos problemas de saúde advindos e agravados em face aos modelos de desenvolvimento adotados no processo de globalização.
O debate ampliado que, em conjunto com a WFPHA, nossa Associação assumiu organizar, corporifica o desafio de mobilizar talento e energia para engajar forças políticas e sociais num compromisso global, unitário e solidário pela saúde e qualidade de vida dos povos.
A WFPHA e a ABRASCO convidam a comunidade nacional e internacional e lideranças da Saúde Publica de todas as partes do mundo para vir a Rio de Janeiro, e participarem ativamente do 8º. Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva e 11o. Congresso Mundial de Saúde Pública - “Saúde Pública em um mundo de globalizado: Rompendo barreiras sociais, econômicas e políticas”.
1- WFPHA, 2004. Resolution on global public health leadership.
2- ABRASCO, 2003. Considerações da Associação Brasileira de Saúde Coletiva – ABRASCO sobre Saúde Pública Internacional
3- Beaglehole R et al., 2004. Public health in the new era: improving health through collective action. Lancet 363:2084-2086.
http://www.saudecoletiva2006.com.br/portugues/apresentacao.php